Carta à Alguém
Ela preparou a luz, fez a densidade do ar mudar, manipulou cada molécula, cada átomo que mergulhado naquele imenso mar estava ... she's like the wind...
Porra, era a mulher que eu amava, eu ainda não entendo porque ela aceitou minha proposta naquela noite. Foi a noite mais obscura da minha vida, eu me inebriei, abri cada milímetro da minha mente e descobri que fui egoísta ao tentar não ser. Mas, por que ela aceitou?
Dançamos, várias vezes juntos, podia ser qualquer tipo de música, não importava, para mim era mais uma oportunidade de ficar a menos de um milímetro da fonte aromática mais calmante que existia. Jamais me esquecerei do caminhar da vida...
Um dia ao acordar ela estava me olhando e noutro o contrário aconteceu.
Bastava apenas um chamado e ela estava lá, o contrário raramente aconteceu.
Solucionei vários problemas, resolvi equações inimagináveis, modelei complexos problemas físicos e fiz aeronaves decolarem e pousarem, mas sequer entendo o que se passa por trás daquele olhar que tanto me assusta.
O início:
Eu estava no trinta e três e meu telefone tocou, era ela. Uma noite havia se passado desde a última vez em que ouvi sua voz. Eu não estava assustado como das outras vezes, se o que eu encontrasse não me agradasse eu jogaria no lixo. Sou estúpido, sou grosso, sem educação, adoro omitir, mentir e manipular, mas pelo menos sou eu. Não sou nada mais nada menos do que eu próprio (pleonasmo vicioso proposital). Do que eu lembro daquela noite? Do branco! Apenas me lembro dessa cor: do branco. Tudo passou tão rápido que eu não me lembro nem da metade, embora possa contar como me senti durante a menor medida de tempo possível.
término do início.
Mas que mistério eu desvendei. Em certa noite eu esbravejei bastante, para cada indagação houve uma resposta odiosa, mas que a lógica contida pode me convencer, é claro que eu nunca deixei que ela soubesse disso, nunca ela soube também que eu nem estava interessado em suas respostas, estava apenas interessado em sua voz. A lógica me convenceu, a voz me cativou.
Eu amava provocá-la, fiz tudo o que pude e propósito, só para admirar cada reação lógica e ou emocional que ela teve...
E como vivemos... vivemos mais do que cinquenta anos. Ela me mostrou que tudo podia ser feito, que eu apenas fecharia os olhos e ela faria acontecer, como fiquei mal acostumado com ela. Eu tive esse direito, vivi com ela como se fossem cinquenta anos, mas esperei mais de oitenta por ela, a pequena também me esperou, assim nos disseram, e um dia eu vi o branco mais lindo da minha vida e jamais pensei que tantos anos pudessem ter passado. Eu odeio o tempo que esperei e mais ainda o tempo que passou, porém o pior tempo de todos foi o tempo em que ela não esperou, depois de oitenta anos; dez não fariam diferença. Não foi por una cabezza, mas por uma dezena.
É claro que eu choro, eu preciso do amor dela, mas não posso viver com ele.
Onde eu queria estar agora? Nos braços dela, no colo da alma que tanto amei e que tanto tive o direito de possuir.
Reclamou tanto que eu não falava dela, quem é bobo o suficiente para contar sobre a posse de um tesouro que se considera o mais valioso a existir?
Nossa diferença? Ela acredita e eu não. O melhor de tudo é que a dor imensa passou!!!
Eu queria muito saber onde há um poço com água limpa...

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